P2016-006-B – “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna (Parte 2)

Eis a segunda parte do programa dedicado à obra “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna. Aqui são discutidos o enredo, as personagens e as características que fazem do livro uma comédia com toques de tragédia.

Ficha técnica – “O santo e a porca” – 1957 (1974) – Ariano Suassuna.

(Parte 2)

P2016-006-B

Edição

3ª edição. Editora José Olympio.

Apresentadores

Leobaldo Prado.

Estéfani Martins.

Debatedores

Cirlei Garcia, professora de Literatura.

Luciene Teixeira, professora de Literatura e Redação.

Músicas

1 – Zé Ramalho – “A peleja do diabo com o dono do céu” – 1979 – “Agônico”.

2 – Quinteto Armorial –  – “Do romance ao galope nordestino” – 1974 – “Revoada”.

3 – Quinteto Violado – “Raízes nordestinas” – 1999 – “Pipoquinha”.

4 – Quinteto Violado – “Raízes nordestinas” – 1999 – “Coco”.

5 – Pifarinha – “Do coco ao barroco” – 2008 – “Comendo com Farinha”.

6 – Pastoril e Coco de roda (Tibau do Sul-RN) – “Coco de roda” – SD – Dente de ouro”.

7 – Quinteto Violado – “Raízes nordestinas” – 1999 – “Bambelô”.

8 –Alceu Valença – “Molhado de Suor” – 1974 – “Molhado de Suor”.

9 – Matuto Moderno – “Festeiro” – 2002 – “Recortado queima bucha”.

10 – Chico Science e Nação Zumbi – “Baile perfumado” – 1997 – “Chico Rural”.

11 – Siba – “Siba e Fuloresta do Samba” – 2002 – “Vale do Jucá”.

12 – Siba – “Siba e Fuloresta do Samba” – 2002 – “Canoa Furada”.

13 – Quarteto de Olinda – “Quarteto de Olinda” – 2009 – “Xinxim no Xenhenhen”.

14 – Quarteto de Olinda – “Quarteto de Olinda” – 2009 – “Forró pé de uva”.

15 – Chico Science e Nação Zumbi – “Baile perfumado” – 1997 – “Baile Catingoso”.

16 – Orquestra Armorial – “Gavião” – 1976 – “Chegança”.

17 – Sivuca e Orquestra Sinfônica da Paraíba – “Sivuca Sinfônico” – 2003 – “Feira De Mangaio”

18 – Sivuca e Orquestra Sinfônica da Paraíba – “Sivuca Sinfônico” – 2003 – “Rapsódia Gonzaguiana”.

19 – Orquestra Armorial – “Gavião” – 1976 – “Aboio Esporiado”.

20 – Cabruera – “Cabruêra” – 2002 – “Forro Esferografico”.

21 – Cordel do fogo encantado – “Cordel do fogo encantado” – 2001 – “Ai Se Sesse”.

Referências teóricas

1 – Vídeos do Benjamim Abraão sobre o bando de Lampião.

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/um_sertanejo_das_arabias.html

https://www.youtube.com/watch?v=fBR9wPp5gt8

2 – Gil Vicente.

http://www.virtual.ufc.br/solar/aula_link/llpt/I_a_P/Literatura_PortuguesaI/aula_02-2133/04.html

3 – O personagem pícaro.

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/letronica/article/view/7845/6483

4 – “Clara dos Anjos” – 1922 (1948) – Lima Barreto.

5 – “O estrangeiro” – 1942 – Albert Camus.

6 – Literatura do absurdo.

http://obenedito.com.br/escritores-absurdo/

7 – Existencialismo.

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/existencialismo.htm

8 – “A metamorfose” – 1915 – Franz Kafka.

Indicações

1 – “Do romance ao galope nordestino” – 1974 – Quinteto Armorial.

https://www.youtube.com/watch?v=wDC2TJRpF_0

2 – Aula espetáculo de Ariano Suassuna sobre as raízes populares da cultura brasileira.

https://www.youtube.com/watch?v=iuoaixwaq6w

3 – “Quanto mais quente melhor” – 1959 – Billy Wilder.

https://www.youtube.com/watch?v=NwT6D9Bm-lU

4 – “O estrangeiro” – 1942 – Albert Camus.

5 – “Aulularia ou a comédia da panela” – 194-191 a.C. – Plauto.

6 – “O avarento” – 1668 – Molière.

7 – “O mercador de Veneza” – c. 1596 – Shakespeare.

8 – “O conto de Natal” – 1843 – Charles Dickens.

9 – “Morte e vida Severina” – 1967 – João Cabral de Melo Neto.

Quadro – Pergunte à Literatura.

Ana Elisa Mageste – O conhecimento é tão massificante quanto a ignorância?

VdaP – Não, porque “quem aumenta a sabedoria, aumenta a dor.” Eclesiástico (livro do Antigo Testamento, 1,18, citado por Giordano Bruno (filósofo italiano, 1548-1600) e “a ignorância é um mal invencível.” (Sofócles, autor trágico grego – 496-406 a.C. em “Fragmentos”, 838).

Imagem – informações e créditos

Portinari, Cândido Torquato (1903-1962) pintor modernista brasileiro – 1954 – Vaqueiros do Nordeste (Cenas Brasileiras).

Outras considerações:

– Peça teatral. Gênero dramático. Comédia.

– É uma das tramas paralelas na adaptação para televisão da obra também de Ariano Suassuna: “O auto da compadecida”.

– Foi adaptada para o teatro e para televisão. No último caso, no programa Brava Gente da Rede Globo em 2000.

– A obra “O santo e a porca” é livremente inspirada na peça “Aulularia”, escrita no século II a.C., também conhecida como Comédia da Panela, do escritor romano Plauto, ou seja, dialoga com a cultura clássica europeia, além de evidentemente, em função do tema da avareza, ser de alguma forma influenciado pela peça “O avarento” de Moliére, que também baseou-se na peça de Plauto para escrever sua própria obra.

– O Movimento Armorial foi uma iniciativa artística cujo objetivo seria criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. O fundador foi Ariano Suassuna. O movimento armorial mobiliza expressões artísticas como: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, etc. Essa corrente artística foi consagrada e deflagrada no dia 18 de outubro de 1970 na Igreja de S. Pedro dos Clérigos. Marca o início do movimento também uma mostra de artes plásticas e a apresentação da Orquestra Armorial de Câmara, regida pelo maestro Cussy de Almeida. Essa concepção estética é especialmente marcada pelo amálgama que ela representa entre a cultura clássica e medieval europeia e a cultura popular brasileira, em especial, a nordestina. Diferente do Tropicalismo, não é um processo antropofágico de assimilação, mas sim um reencontro entre duas culturas que nasceram em um mesmo berço e que dividiram em um tempo remoto e impreciso as mesmas motivações.

“A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos ‘folhetos’ do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus ‘cantares’, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados.” (Ariano Suassuna, 1975)

Muito ligado à cultura brasileira, em especial, à literatura de cordel do Nordeste. São expressões importantes Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Armorial de Câmara, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.

O Movimento Armorial era num só tempo erudito e popular, universal e local, internacional e brasileiro, desconhecido e conhecido, etc.

O termo “armorial”, do francês “armorial” derivado do latim “armare”, tem em língua portuguesa valor substantivo e adjetivo, originalmente referentes ao universo da heráldica, dos brasões, etc. Graças ao movimento criado por Suassuna, ganhou outro valor adjetivo associado à cultura intrinsecamente brasileira e nordestina e num mesmo tempo ibérica e, porque não, universal.

http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/9879/9879_2.PDF

 

– Primeiro disco do Quinteto Armorial, lançado em 1974 com o evocativo nome “Do romance ao galope nordestino”. Foi lançado pelo selo independente do importante pesquisador musical Marcus Pereira.

  1. Revoada (Antônio José Madureira) 00:00
  2. Romance da Bela Infanta* (Romance ibérico do século XVI, recriado por Antônio José Madureira) 03:43
  3. Mourão (Guerra Peixe) 05:36
  4. Toada e Desafio (Capiba) 07:27
  5. Ponteio Acutilado (Antônio Carlos Nóbrega de Almeida) 11:53
  6. Repente (Antônio José Madureira) 16:25
  7. Toré (Antônio José Madureira) 21:01
  8. Excelência (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antônio José Madureira) 24:01
  9. Bendito (Egildo Vieira) 27:03
  10. Toada e Dobrado de Cavalhada (Antônio José Madureira) 31:27
  11. Romance de Minervina* (Romance nordestino, provavelmente do século XIX, recriado por Antônio José Madureira) 36:19
  12. Rasga (Antônio Carlos Nóbrega de Almeida) 37:52

Trecho presente no disco em questão sobre a música concebida pelo próprio grupo:

“Foram os compositores armoriais que revalorizaram o pífano, a viola sertaneja, a guitarra ibérica, a rabeca e o marimbau nordestino, estranho e belo instrumento, de som áspero e monocórdio, lembrando – como a rabeca também – os instrumentos hindus ou árabes, estes últimos de presença tão marcante no nordeste, por causa da nossa herança ibérica.

Os músicos do Quinteto Armorial poderiam ter partido em busca de dois caminhos fáceis: limitar-se, por um lado, à boa execução convencional da Música europeia, tradicional ou ‘de vanguarda’, e procurar, por outro lado, o fácil sucesso popular, tocando, à sua maneira, ‘baiões’ comerciais. Não o quiseram. Convencidos de que a criação é muito mais importante do que a execução, preferiram a tarefa mais dura, mais ingrata, mais difícil e mais séria: a procura de uma composição nordestina renovadora, de uma Música erudita brasileira de raízes populares, de um som brasileiro, criado para um conjunto de câmera, apto a tocar a Música europeia, é claro – principalmente a ibérica mais antiga, tão importante para nós – mas principalmente apto a expressar o que a Cultura brasileira tem de singular, de próprio e de não europeu.”

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